O limite é imprescendível em nossas vidas, pois ele controla os nossos impulsos, instintos mais primitivos inerentes. Se não houvesse regras, normas que limitam o ser humano seria ordenado num imenso caos desorganizado, desestruturado, possivelmente sem um núcleo familiar saudável, já que não existiria o tabu do incesto, ou seja, pai casaria com filha, filho com a própria mãe e assim em diante.
Desde muito cedo, o bebê também necessita de contenção, de limite para a manutenção do seu bem estar tanto físico quanto emocional, onde o papel da mãe é precursor e facilitador para tal. Quando o bebê amplia a sua presença no mundo adquirindo amadurecimento fisiológico, como no engatinhar, entra em cena a mãe colaborando em criar um espaço possível e limitadamente seguro para a expansão deste desenvolvimento. Nesta situação a segurança física do filho é a preocupação primordial.
Além da segurança física, existe a segurança emocional que também é adquirida com a colaboração do limite. Neste caso funciona como fortalecendo o sentimento de estar protegido, ser amparado, estar sendo acompanhado por um outro que ama, que acolhe, que segura. Um colo, um abraço em momentos de choro compulsivo, em momentos de angústia, são atos que contém, que limitam o pavor sentido pelo contato com um mundo estranho, desconhecido, pelo medo da solidão, medo da perda, e a intuição da mãe contribuirá para este entendimento no momento.
O ato de educar também significa limitar, conter, o que ocorre desde a tenra idade, ou seja, a partir do quinto, sexto mês de vida do bebê aproximadamente. Ao pegar um objeto danoso a sua saúde, a mãe impede, tirando de sua mão, ou até mesmo dificultando o seu acesso. O bebê reage, se desespera, mas se oferece um brinquedo em troca, logo se interessará por este abandonando aquele.
A postura com o filho nesta fase será sempre de troca, buscando descobrir outros objetos novos e interessantes tanto quanto, amenizando a sua angústia pela perda do objeto antigo ao mesmo tempo que aguça a sua curiosidade. Assim como falar em tom mais sério, não significa mais alto, mas firme reafirmando a sua desaprovação da sua desobediência, evitar de comparar o seu filho com outras crianças para ele, ou utilizar adjetivos como isto é feio, ou isto é bonito, por gerar uma competição e comparação podendo afetar mais tarde a sua auto-estima.
O castigo também refere-se ao educar, um repressor dos atos impulsivos do aspecto narcísico e onipotente do bebê. Este compreende e muitas vezes solicita ser repreendido, ou melhor, ser contido pela mãe. O filho torna-se manhoso, desobediente testando a mãe, enfrentando-a, como forma de requerer valer a confirmação do seu amor incondicional por ele, é como se estivesse falando: "Quero ter certeza se me ama de verdade, se vai me aguentar, ter paciência, não vai me abandonar. " O limite entra como um reforço do amor da mãe pelo filho dentro de um contexto coerente, adequado, uma forma de socializar, de ajudá-lo a ser pertencente de uma sociedade que também é regida por leis, por normas que precisamos muitas vezes nos adequar.
Bem Vindo
Um espaço para troca de experiências, reflexões, dúvidas referentes ao universo dinâmico e surpreendente do inconsciente.
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terça-feira, 22 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
O Crescer:
O desmame é o início do desenvolvimento do bebê, assim como o engatinhar, o balbuciar alguns sons, a dentição, o andar, como o parto é o desligamento necessário em favor de uma nova possibilidade. O bebê terá que abandonar, romper com o seu habitat confortável, protegido em prol da continuação de sua existência, pois a permanência no corpo da mãe causará o seu falecimento. Significa a morte de um estado conhecido em favor da vida, da continuação do existir.
O crescer, o desenvolver acarreta perda, desligamento de uma condição conhecida para uma situação nova, uma sucessão de partos que a mãe enfrentará com o filho pela vida. O engatinhar é a perda de uma dependência para o ganho do movimento, de uma autonomia, de uma nova conquista. Para a mãe uma felicidade e um receio desta independência, uma sensação de vazio, de perda. Antes coordenávamos, controlávamos aonde o nosso bebê estaria, ou melhor dizendo sempre junto da nossa companhia, agora ele escapa deste olhar decidindo aonde deseja estar, se locomovendo em busca de outros interesses "além peito".
Para o bebê crescer, buscará outras ligações fora do mundo "interno mãe", portanto não olhará apenas para o seu peito quando mamando, mas também para um outro objeto sendo colorido, vivo, diferente até então para o seu olhar. E quanto mais estímulos puder captar, maior será o seu crescimento. Com este novo interesse do bebê, a mãe sente que está perdendo o espaço com o seu filho, e ressente-se da perda do seu amor por não querer se separar. O bebê também teme a separação, não quer perder a mãe e resisti, à princípio, a nova situação.
O retorno à vida laborativa da mãe é uma separação do vínculo exclusivo com o bebê, gerando angústia, sofrimento e culpa pelo rompimento, apresentando dificuldades em dividí-lo com uma outra pessoa ou instituição adequada. A mãe sente-se em conflito, com culpa, por ser egoísta acreditando em abandonar o filho para viver sua própria vida, deixando de perceber que na verdade está criando uma maior condição de vida para o bebê, tornando-o um ser social ao se relacionar com outras pessoas, permitindo desenvolver uma segurança, confiança, bem estar com o mundo externo.
Quando a mãe não se desamarra de sua culpa e medo perante a separação, não permite também que o seu bebê cresca, sendo um ser vivente no mundo social, preconizando-o como hostil, cruel, imperfeito, inseguro para ser habitado. Eventualmente a mãe evita em confiar o seu filho com outras pessoas alegando não serem boas o suficiente, o resguardando de possíveis frustrações e falhas. A consequência se revelará no futuro, com um indivíduo introvertido, inseguro, imaturo no seu desenvolvimento emocional, com dificuldade em enfrentar e aceitar as mudanças necessárias impostas pela lei natural da vida.
O rompimento é imprescendível para o amadurecimento, apesar de carregar uma certa quota de sofrimento pela sensação de uma perda. Mas como crescer sem romper, sem deixar para trás uma disposição conhecida, agradável e confortável até então? Para o bebê ingressar na alimentação sólida, terá que reduzir a ingestão do seu conhecido leite materno; assim como para andar, abrirá mão do seu engatinhar; como no falar, precisará de estímulo que o provoque para tal.
Nesta interface, a mãe se apresentará como a figura facilitadora, propensa em defender o crescimento, ou como a figura controladora, possessiva que preza o vínculo simbiótico. Pode forçar a fala do bebê, não respondendo de prontidão quando ele aponta para um objeto que deseja, ou então devido ao cansaço do dia, sede de uma vez, não abrindo campo para a sua expressão. Cria estímulo para o engatinhar através de brincadeiras, colocando um objeto atrativo longe do seu alcance encorajando sua locomoção em direção a, ou apenas deixa ao acaso interferir para não perder o conforto e a segurança da velha e conhecida relação.
O crescer, o desenvolver acarreta perda, desligamento de uma condição conhecida para uma situação nova, uma sucessão de partos que a mãe enfrentará com o filho pela vida. O engatinhar é a perda de uma dependência para o ganho do movimento, de uma autonomia, de uma nova conquista. Para a mãe uma felicidade e um receio desta independência, uma sensação de vazio, de perda. Antes coordenávamos, controlávamos aonde o nosso bebê estaria, ou melhor dizendo sempre junto da nossa companhia, agora ele escapa deste olhar decidindo aonde deseja estar, se locomovendo em busca de outros interesses "além peito".
Para o bebê crescer, buscará outras ligações fora do mundo "interno mãe", portanto não olhará apenas para o seu peito quando mamando, mas também para um outro objeto sendo colorido, vivo, diferente até então para o seu olhar. E quanto mais estímulos puder captar, maior será o seu crescimento. Com este novo interesse do bebê, a mãe sente que está perdendo o espaço com o seu filho, e ressente-se da perda do seu amor por não querer se separar. O bebê também teme a separação, não quer perder a mãe e resisti, à princípio, a nova situação.
O retorno à vida laborativa da mãe é uma separação do vínculo exclusivo com o bebê, gerando angústia, sofrimento e culpa pelo rompimento, apresentando dificuldades em dividí-lo com uma outra pessoa ou instituição adequada. A mãe sente-se em conflito, com culpa, por ser egoísta acreditando em abandonar o filho para viver sua própria vida, deixando de perceber que na verdade está criando uma maior condição de vida para o bebê, tornando-o um ser social ao se relacionar com outras pessoas, permitindo desenvolver uma segurança, confiança, bem estar com o mundo externo.
Quando a mãe não se desamarra de sua culpa e medo perante a separação, não permite também que o seu bebê cresca, sendo um ser vivente no mundo social, preconizando-o como hostil, cruel, imperfeito, inseguro para ser habitado. Eventualmente a mãe evita em confiar o seu filho com outras pessoas alegando não serem boas o suficiente, o resguardando de possíveis frustrações e falhas. A consequência se revelará no futuro, com um indivíduo introvertido, inseguro, imaturo no seu desenvolvimento emocional, com dificuldade em enfrentar e aceitar as mudanças necessárias impostas pela lei natural da vida.
O rompimento é imprescendível para o amadurecimento, apesar de carregar uma certa quota de sofrimento pela sensação de uma perda. Mas como crescer sem romper, sem deixar para trás uma disposição conhecida, agradável e confortável até então? Para o bebê ingressar na alimentação sólida, terá que reduzir a ingestão do seu conhecido leite materno; assim como para andar, abrirá mão do seu engatinhar; como no falar, precisará de estímulo que o provoque para tal.
Nesta interface, a mãe se apresentará como a figura facilitadora, propensa em defender o crescimento, ou como a figura controladora, possessiva que preza o vínculo simbiótico. Pode forçar a fala do bebê, não respondendo de prontidão quando ele aponta para um objeto que deseja, ou então devido ao cansaço do dia, sede de uma vez, não abrindo campo para a sua expressão. Cria estímulo para o engatinhar através de brincadeiras, colocando um objeto atrativo longe do seu alcance encorajando sua locomoção em direção a, ou apenas deixa ao acaso interferir para não perder o conforto e a segurança da velha e conhecida relação.
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